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Violência contra médicos chega a 80% na Paraíba, aponta Conselho Regional de Medicina

O problema não se restringe ao estado. Em 2024, mais de 4,5 mil boletins de ocorrência relacionados a crimes cometidos dentro de unidades de saúde foram registrados no Brasil, conforme os dados citados na divulgação.

Por: Impacto PB
19/10/2026 às 18h38 Atualizada em 19/10/2026 às 18h43
Violência contra médicos chega a 80% na Paraíba, aponta Conselho Regional de Medicina
Foto: Reprodução

Mais de 80% dos médicos da Paraíba já sofreram algum tipo de violência durante o exercício da profissão, segundo pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), em 2025. O dado foi divulgado nesta segunda-feira (19), em João Pessoa, durante o lançamento do aplicativo Observatório da Violência contra o Médico, iniciativa voltada à centralização de denúncias e ao planejamento de medidas de prevenção.

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O problema não se restringe ao estado. Em 2024, mais de 4,5 mil boletins de ocorrência relacionados a crimes cometidos dentro de unidades de saúde foram registrados no Brasil, conforme os dados citados na divulgação. A recorrência dos episódios reforça a necessidade de identificar as circunstâncias das agressões e aprimorar os mecanismos de proteção nos ambientes assistenciais.

Para Raul Canal, advogado especialista em Direito Médico e presidente da Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética (Anadem), a violência contra profissionais de saúde ameaça as condições necessárias ao atendimento. “É inadmissível que alguém entre em um hospital ou em uma unidade de saúde para cuidar de uma pessoa e tenha de se preocupar também com a própria integridade física. O profissional de saúde não pode trabalhar sob ameaça, e o paciente não pode ser prejudicado por um ambiente de medo e hostilidade. Quando a violência entra pela porta de um serviço de saúde, toda a assistência fica vulnerável”, afirma.

O Observatório da Violência contra o Médico pretende reunir informações sobre os locais e as circunstâncias das ocorrências, contribuindo para um diagnóstico mais preciso do problema. A ferramenta está disponível para dispositivos Android e iOS. Durante o lançamento, o CRM-PB destacou a importância de identificar onde e como os episódios acontecem para orientar ações de combate.

“Não basta lamentar cada novo caso e esperar pela próxima agressão. É preciso saber onde acontece, quem são as vítimas, quais são as circunstâncias e, principalmente, o que será feito a partir dessas informações. Sem prevenção, investigação e responsabilização quando cabível, o levantamento de dados corre o risco de se transformar em estatística sem consequência prática”, destaca o médico.

O presidente da Anadem também chama a atenção para a necessidade de proteger profissionais e pacientes sem tratar os dois interesses como opostos. “O paciente tem direito a um atendimento digno, e o profissional tem direito de trabalhar sem ser ameaçado ou agredido. Uma coisa não exclui a outra. A insatisfação com a demora, a falta de recursos ou as dificuldades do sistema precisa ser enfrentada pelas instituições responsáveis, não descarregada sobre quem está na linha de frente. Violência não resolve a crise da saúde; apenas acrescenta mais um problema a ela”, acrescenta.

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